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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O supremo demonstra a sua pequenês


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Celso de Mello poderia ter sido apenas dócil à vontade do Planalto e mantido a nomeação de Moreira Franco  para o cargo de Ministro, o qual lhe garante foro especial nas investigações e processo que terá a partir das denúncias de delatores da Odebrecht.
Teria todas as razões jurídicas, incontestáveis, ao afirmar que ninguém que é sequer denunciado em ações penais pode ser privado de seus direitos civis, entre eles o de ser nomeado a qualquer cargo público, pelo óbvio princípio da presunção da inocência.
Ninguém poderia colocar um reparo sequer a essa visão, inclusive os que defenderam a ida de Lula à Casa Civil do Governo Dilma Rousseff.
De fato, Mello fez isso em seu voto, ” conforme a jurisprudência desse Supremo Tribunal, o impedimento do acesso a cargos públicos antes do trânsito em julgado de sentença condenatória viola o princípio da presunção de inocência (art. 5°, inciso LVII, da Lei Maior”.
Mas não parou aí, no limite da dignidade e da consciência jurídica, porque isso significaria afirmar injusta a proibição  feita a Lula por Gilmar Mendes.
E Gilmar Mendes já não pode ser contestado nem mesmo indiretamente, nem mesmo pelo decano da Corte. Gilmar Mendes não pode ser contrariado, mesmo que seja para satisfazer, agora, ao ocupante do Planalto.
E o que era dócil passou a covarde, porque passou a procurar detalhes para explicar o que não se pedia que explicasse, pois as ações são autônomas e monocráticas, não se exigindo, senão do pleno do Tribunal, que se as harmonize. No caso, inclusive, nem isso, pois a questão da nomeação de Lula, como se diz no foro, “perdeu o objeto”.
Apelou para o fato de haver “investigações”  sobre Lula e usou o episódio da gravação reconhecida como ilegal por Teori Zavascki, em voto onde recorria às próprias manifestações de Celso de Mello, num julgamento de 2007:
A Constituição da República, em norma revestida de conteúdo vedatório (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do ‘male captum, bene retentum’. Doutrina. Precedentes” (RHC 90376, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJe de 17/5/2007).
O latinismo do ministro Mello presta-se perfeitamente à menção que faz às gravações: “mal colhidas, mas bem conservadas” na mente de quem não se envergonhou de recorrer a elas para justificar que a lei não é igual para todos, que há os que merecem esta “fórmula autoritária”.
O degraus ainda desceram mais, quando ele procurar excusar-se de que o foro privilegiado vá servir como proteção a Moreira Franco, porque a definição de foro para julgamento só se dá ai fim do processo. Não seria assim com Lula, também?
A decisão de Celso de Mello fez o Supremo sabujar-se ao Governo e cair ainda mais no conceito público que percebe que a lei, afinal, é como convém.
É bom que a Ministra Carmem Lúcia pense, também agora, como o enlamear-se de um juiz enlameia ao próprio tribunal.
É bom que o sr. Rodrigo Janot recorde-se, na sua omissão, de que vivia dizendo que “pau que dá em Chico também dá em Francisco”.
E que o sr. Luiz Fachin compreenda o que se quer dele, como relator substituto de Lava Jato.
Está claro porque este Tribunal se encolhe e apequena diante de quem o enfrente, mesmo sendo um anão moral como Renan Calheiros ou um reles manipulador como Michel Temer.
É que nossa mais alta corte, ainda assim, é menor  do que eles

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O NOME DE TEMER JÁ ESTAR NA LAMA

Resultado de imagem para O VAZAMENTO DE TEMER E MARCELA
Um espetáculo de inutilidade, finalmente foi entregue  a liminar do juiz Hilmar Castelo Branco Raposo Filho, da 21ª Vara Cível de Brasília proibindo a Folha (e também O Globo) de noticiarem o conteúdo do processo sobre a chantagem – rapidamente abortada pelo futuro Ministro do Supremo Alexandre de Moares, na época Secretário de Segurança de São Paulo – contra o casal Temer. No processo, que não contém  o áudio, o chantagista Silvonei de Jesus Souza diz que está de posse de uma gravação que poderia “jogar na lama” o nome do atual presidente.
A notícia, como se sabe, já ganhou o mundo. Portanto, a liminar é de uma completa inutilidade, servido apenas para caracterizar o governo como censor.
Vazamento nos outros não dói, não é Temer?

Fala de Temer é sinal da iminente quebra de sigilo das delações


laerteperspectiva
Não é nas palavras que disse  Michel Temer – que não afastará ministros citados nas delações premiadas, mas apenas os que  vierem a ser denunciados – que está a novidade de sua inesperada atitude de fazer um “pronunciamento” a jornalistas no Palácio do Planalto.
É que o gesto parece ser uma antecipação – do tipo “resposta antes da pergunta” – à iminente quebra do sigilo das delações premiadas da Odebrecht.
É provável que se vá puxar a atenção na mídia sobre acusações a Lula ou a Dilma. Afinal, ambos são a razão do acordo de delação, mas o pequeno “desconto” dado a Marcelo Odebrecht em sua pena – o dobro da pena e o triplo de tempo em regime fechado – são sinais de que os que lhe extorquiram a delação não devem ter levado “carne de primeira”.
Já o problema do Governo – além dele mesmo, praticamente todo dentro do embrulho – e de seus aliados do PSDB, presentes em nos mesmos grande número e grau –  é o banzé que isso criará na sua sustentação parlamentar, da cúpula – Eunício “Índio” Oliveira e Rodrigo “Botafogo” Maia, à base, o “baixo clero” do qual depende para aprovar à reformas da previdência e da CLT.
Se depender de Temer, o novo relator do caso, Luiz Fachin, deixaria para depois, para que a sabatina de Alexandre Moares fosse menos vexatória, embora  vexatório seja o que mais há em todo este processo.
Mas a vergonha só é sentida por quem a tem. E o coeficiente de pudor no atual governo é, com boa vontade, microscópico.

CARDOZO SOBRE AÇÃO DE TEMER CONTRA FOLHA: ‘EVIDENTE CENSURA PRÉVIA’

REFORMA TRABALHISTA,O GRANDE PRESENTE QUE O NOSSO CONGRESSO VAI DAR AOS PATRÕES


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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Governo Temer: sem panelaços e bonecos infláveis


Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer.
Folha de S. Paulo
Por Janio de Freitas

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.
Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.
Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.
Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.
Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

Reforma da Previdência: os números da crueldade contra os pobres


aposidade
Os imbecis não conseguem pensar além de seus próprios umbigos e tomam a questão previdenciária como um simples cálculo entre o que se contribui e o que se recebe, daí balançarem a cabeça em aprovação aos que não são imbecis, mas são perversos e querem sanear e fazer funcionar bem a máquina de pagar juros que é o Estado brasileiro.
Reportagem assinada por Mariana Carneiro, Ana  Estela Sousa Pinto e Paulo  Muzzolon, na Folha,  mostra que nada menos que 80% das pessoas que hoje se aposentam por idade perderia este direito por muitos anos se aprovada a reforma previdenciária enviada por Michel Temer ao Congresso. E mostra mais: que o grande peso disso recaria sobre os mais pobres, não apenas porque a média dos proventos dos que se aposentam por idade é de 890 reais (apenas 10 reais acima do mínimo de 2016), mas porque a concentração das aposentadorias deste tipo mostra que também são os estados mais fracos da Federação os maiores prejudicados.
Nove estados brasileiro têm mais de 90% dos seus aposentados por idade, numero que dobra se considerarmos o patamar de 80%. Isto é, de cada cinco pessoas que se aposentam só uma consegue alcançar os 35 anos de contribuição (homens) e 30 anos (mulheres).
O retato da monstruosidade é claro: praticamente 80% dos aposentados por idade, hoje, não teriam o benefício se valessem hoje as regras desejadas pelo governo golpista e sem voto.
Não dá nem para fazer o raciocínio de quantas atingiriam os 49 anos de contribuição necessários à aposentadoria integral, pela regra proposta por Temer, porque o resultado seria simples deboche.
Mesmo para os 35 anos atuais, isso significa, para a grande maioria, algo em torno de 40 anos de vida laboral, porque com a rotatividade de sempre e o desemprego de tantas vezes, os “buracos” no tempo de contribuição elevam para este nível o atingimento do mínimo exigido.
Claro que isso vale também – e até mais gravemente, porque mais grave o desemprego e o trabalho informal entre os pobres – para a exigência de 25 anos de contribuição. E com a rejeição a empregar gente já mais velha generalizada – e mais grave nas profissões que exigem esforço físico, como a construção civil  e o trabalho rural – isso vai significar que estas pessoas devem esquecer a aposentadoria.
Faça o seguinte: coloque de um lado todos os cálculos dos meninos bem vestidos que falam horrores do rombo da previdência e, de outro, o rosto das pessoas que trabalham a vida inteira na informalidade, nos biscates, suando na enxada de sua roça e escolha qual dos dois retrata melhor o brasileiro.
Como já disse hoje, a tecnocracia virou a face fria da maldade.

A censura do doutor Moro


Moro censurou metade das questões de Cunha para Temer
Folha de S. Paulo
Por Bernardo Mello Franco

Em novembro, o acusado Eduardo Cunha fez 41 perguntas a Michel Temer, sua testemunha de defesa nos processos de Curitiba. O juiz Sergio Moro censurou metade do questionário. Afirmou que oito indagações não tinham "pertinência" e outras 13 eram "inapropriadas".
Cunha e Temer são velhos aliados, e as perguntas vetadas por Moro forneciam um bom roteiro para a Lava Jato. Numa delas, o correntista suíço queria saber: "O sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de vossa excelência ou do PMDB?"
Em dezembro, Yunes foi acusado por um delator da Odebrecht de receber dinheiro em espécie para Temer. Ele se disse indignado e deixou o cargo de assessor do presidente.
Nesta sexta (10), Moro recusou um pedido para soltar Cunha. Na decisão, voltou a reclamar das perguntas a Temer. Disse que tinham como objetivo "constranger o exmo. sr. presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie de intervenção indevida da parte dele". Faltou explicar que tipo de intervenção estaria ao alcance presidencial.
De acordo com Moro, Cunha recorre a "extorsão, ameaça e intimidações" para tentar escapar da lei. Os métodos do ex-deputado são conhecidos, mas o juiz deveria parecer mais interessado no que ele tem a revelar. A tarefa de evitar constrangimentos a Temer pode ser deixada para os advogados do presidente.
Lula teve um surto autoritário em 2004, quando tentou expulsar um correspondente estrangeiro do país. Recuou graças a um conselheiro que ocupava o Ministério da Justiça.
Temer teve dois surtos autoritários na semana passada, quando restringiu a circulação de jornalistas no Planalto e pediu a censura de uma reportagem da Folha. O presidente não tem ministro da Justiça e seus outros conselheiros estão ocupados, tentando fugir da Lava Jato. 

Ironia da demagogia: maioria dos irregulares do Bolsa Família tinham direito a mais


rendamenor
Cuidado, sempre, quando alguém sair com uma campanha “moralizadora” com  viés de espalhafato.
Em geral, ou encobre péssimas intenções ou está simplesmente querendo atrair para si a imagem de “xerife” de trombadinhas, num país onde se roubam bilhões.
Hoje, como detalhamento da ótima matéria sobre a volta de mais de meio milhão de famílias à lista de beneficiários ao Bolsa Família, O Globo publica uma estatística que, por si, desmoraliza todo o discurso de que havia milhões de pessoas recebendo o benefício sem merecer.
O maior grupo de “irregulares” que se encontrou foi o de 1,5 milhão de pessoas  recebendo menos do que poderiam ter direito, pela piora de sua situação financeira.
E que mais de 400 mil famílias desceram um degrau em renda na classificação do valor do Bolsa Família em 2016, quase 70% a mais que o já infeliz 2015.
Isso deveria ser um escândalo. Mas não é, infelizmente.

Janot, se for coerente, pode desfazer manobra para livrar Moreira no STF


angoras
Como deixou mais que insinuado no seu “pedido de informações” a Michel Temer,  o Ministro Celso de Mello sinaliza  uma “solução Pilatos” para o impasse na nomeação de Wellington Moreira Franco para o foro privilegiado, perdão, para a Secretaria de Governo da Presidência da República.
É que ele pede que Temer se pronuncie sobre a legitimidade de partidos políticos  sejam legítimos para propor ente tipo de mandado de segurança e, de quebra, já indica decisões em contrário proferidas por outros ministros.
Assim ,em tese, pode julgar o processo extinto, sem apreciar o (de)mérito,  alegando ilegitimidade dos autores, algo, claro, que jamais passou pela cabeça de Gilmar Mendes ao dar a ordem contra Lula.
Está nas mãos do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, evitar que isso aconteça.
É que está com ele, parada, desde segunda-feira da semana passada, uma “Representação para Ajuizamento de Ação” na Justiça contra o ato que deu foro privilegiado ao “Angorá” da lista da Odebrecht, proposta pelos deputados Wadih Damous (RJ) e Paulo Pimenta (RS), ambos do PT, pedindo que ele adote medidas para suspender, em caráter liminar, a nomeação de Moreira Fraco para o cargo de Ministro.
Com que argumento? Os mesmos que Janot usou para dar parecer favorável à anulação da nomeação de Lula para a Casa Civil, que Damous e Pimenta transcrevem:
Segundo o parecer da própria PGR no caso da nomeação do ex-Presidente Lula, pp. 31-32: “Colhem-se, portanto, os seguintes parâmetros para aferir desvio de poder: a) o agente busca atingir finalidade deturpada com o ato administrativo; b) o vício é objetivo, satisfaz-se com descompasso entre a finalidade legal e a real; c) dada a artificiosidade que o circunda, sua prova dá-se por meio de indícios que, revelando coerência, sejam capazes de nulificar o ato; d) o desvio é passível de controle judicial, na modalidade de controle de legalidade, até na via do mandado de segurança”
Se Janot ingressar com a ação requerida – com os mesmos argumentos que usou contra Lula – fecha-se a porta para a desqualificação dos pedidos de veto à nomeação de Moreira que pode ser alegada por Celso de Mello para legitimar a evidente manobra de proteção de Temer a seu pupilo.
Rodrigo Janot adora usar a frase de que, com a PGR, “pau que dá em Chico também dá em Francisco”. É hora de saber se, quando o Francisco é quem o pode indicar para o terceiro mandato como Procurador Geral, a regra  também vale.
Afinal, se o Supremo optar pelo vergonhoso caminho da omissão cúmplice, não é justo que vá sozinho.
Ou, se nos tempos sombrios que vivemos, todos os gatos são angorá.

Estadão louva tragédia econômica de Temer


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Pode isso? O Estado de S. Paulo tece elogios, neste domingo (12), ao desastre econômico do ilegítimo Michel Temer (PMDB).
O jornalão louva a recessão (baixa da inflação) e esconde 13 milhões de desempregados criados nesses nove meses de golpe.
A sem-vergonhice de Estadão não para aí. A matéria de capa ainda enaltece o aumento dos combustíveis pela Petrobras como se fosse “coisa boa” para os brasileiros.
É o olhar da casa grande sobre a caos no país, que se desmancha na depressão econômica. O resultado disso pode-se mensurar pelas convulsões sociais no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
Na reportagem de hoje, o Estadão escalou banqueiros para rasgar seda ao ministro da Fazenda Henrique Meirelles e defender a autonomia do Banco Central. Recorda, até, a “Ponte para o Futuro” — uma espécie de recibo passado pelo diabo para confirmar que comprou a alma de Temer.
Os bancos riem à toa com as taxas de juros (as maiores do mundo) e os R$ 700 bilhões que vão garfar somente este ano (referentes aos juros da dívida interna). A título de comparação, em 2017, o orçamento da Educação é de R$ 94 bilhões e da Saúde apenas de R$ 123 bilhões.
Para fechar a canalhice contra o povo, o jornalão mira na Previdência Social (fim da aposentadoria) e na precarização da mão de obra (reforma trabalhista).
Não se vê coxinha batendo panelas diante dessa tragédia e roubo de direitos anunciados.

Reforma da Previdência também ajuda a inquietar policiais pelo Brasil


por jamildo 

Nesta semana que passou, viu-se uma cena inédita. Policiais rodoviários federais invadindo o Congresso Nacional, para protestar contra a reforma da Previdência. Não querem contribuir mais ou trabalhar mais para se aposentar.
Não foi só. A crise na segurança pública, escancarada na semana passada com a paralisação dos policiais militares no Espírito Santo, que chegou a ameaçar se espalhar para outros Estados, adicionou um novo obstáculo para a reforma da Previdência.
Levantamento feito em alguns Estados mostra que os militares são responsáveis por cerca de um terço do rombo das previdências estaduais, mas ficaram de fora da reforma proposta pelo governo.
A ideia era enviar um projeto com novas regras para a aposentadoria dos militares até o fim de março, mas fontes do governo admitem que essa possibilidade está cada vez mais distante, devido ao momento de tensão no setor.
O dilema é engraçado. Se as regras mudarem, muitos policiais vão envelhecer na profissão, com uma espécie de polícia anciã. Se continuar do jeito que está, em breve haverá mais aposentados do que policiais na ativa na folha de pessoal.
Os militares das Forças Armadas já conseguiram escapar, com a ajuda de Raul Jungmann junto a Temer.
Outros efeitos da Reforma da Previdência
Nesta semana que passou, o senador Humberto Costa (PT), líder da Oposição no Senado, voltou a criticar duramente a Reforma da Previdência proposta pelo governo Temer.
Ele disse que os efeitos deverão ser “desastrosos”.
O petista falou com base em projeções negativas apresentadas durante o seminário sobre a PEC 287, a PEC da Previdência, organizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e diversas centrais sindicais.
“As consequências serão as piores possíveis, caso essa reforma seja implementada da forma que foi apresentada no Congresso. Vamos ter uma grande evasão de novos contribuintes da Previdência. Teremos cada vez menos pessoas com acesso ao benefício e para os que conseguirem se aposentar a remuneração será bem menor”, disse Humberto Costa.
Segundo informações apresentadas no seminário do Dieese, com a dificuldade de acesso e com os benefícios reduzidos, o novo governo coloca em risco a própria sobrevivência da Previdência Social e toda a estrutura de proteção social construída a partir da Constituição de 1988.
“A fragilização da instituição se articula com o enfraquecimento das políticas públicas voltadas para a população e favorece o aumento da vulnerabilidade social, da pobreza e das desigualdades no país”, afirma nota divulgada pelo Dieese.
Outro ponto preocupante apresentado durante o seminário do Dieese, destacado pelo senador petista, foi a opção que os trabalhadores jovens podem fazer por não contribuir com a Previdência.
“Os que acabaram de entrar no mercado de trabalho ficarão completamente desestimulados com a Previdência pública e, já estão utilizando o jargão, ‘se não vou usar, porque vou pagar?’”, assinalou.
Humberto Costa ainda disse que para esses jovens receberem o teto precisarão contribuir, ininterruptamente, durante 49 anos.
“Com isso, eles migrarão para as previdências privadas e correremos o risco de ter um completo desmonte da Previdência Social como instituição”.
Ainda este mês, o Dieese lançará uma “jornada nacional” de debates para explicar as consequências da PEC da Reforma da Previdência. O objetivo é levar as discussões a todos os estados no sentido de se contrapor à propaganda do governo e mostrar as consequências negativas da PEC 287.
“É muito importante o engajamento das instituições nesse debate da Reforma da Previdência. Precisamos nos organizar maciçamente se não quisermos perder direitos sociais históricos e ir às ruas para mostrar que somos contra qualquer retrocesso”, disse Humberto Costa.

Cerca de 900 policiais fazem o patrulhamento das ruas no Espírito Santo


Agência Brasil
Quase 900 policiais militares estão fazendo o patrulhamento das ruas do Espírito Santo neste domingo (12). Segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública, são 250 na região metropolitana de Vitória, 275 no sul do estado, e 350 no norte, totalizando 875 agentes que atenderam à chamada do Comando-Geral da corporação. Caso não se apresentem, os PMs poderão sofrer punições administrativas.
Policiais de diferentes unidades, incluindo cavalaria e polícia ambiental, apresentaram-se diretamente nos locais determinados pela corporação sem passar pelos quartéis para evitar o bloqueio feito na entrada dos batalhões pelo movimento de mulheres acampadas há nove dias em protesto por melhorias salariais. A maior parte dos policiais que estão retornando são oficiais e praças que estavam de férias e de folga e que estão sendo convocados.
Na capital capixaba, grupos de policiais militares se apresentaram para trabalhar na Praça Oito, na região central, e na Rodoviária de Vitória, e fazer o patrulhamento dos municípios da região metropolitana.
Ontem (11) à noite, a Polícia Militar informou que 70 policiais foram retirados de helicóptero do Quartel do Comando-Geral, em Maruípe, na região central de Vitória. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, esses agentes queriam voltar ao trabalho e foram impedidos de sair pelo movimento das mulheres.