Janio de Freitas - Folha de S.Paulo
O tumulto paulista sugere que o problema das passagens de ônibus excede o âmbito decisório das prefeituras. O fato de ter havido só um breve bafafá no Rio e nem isso em outras capitais (ao menos à hora da sexta-feira em que escrevo), não significa que o problema seja paulista. Nenhum usuário de transporte urbano no Brasil pode estar satisfeito. Logo, a ocorrência de protestos contra as condições e os preços desses transportes é lógica. Como é lógico que a crescente parcela desordeira da população utilize manifestações para o quebra-quebra de bens públicos e privados.
As passagens não mais subirão, para que não haja quebra-quebra? As prefeituras arcarão com os aumentos? Com que dinheiro? E vão por aí as perguntas que nem precisam de respostas.
Mas, sobretudo, as passagens de ônibus demonstram que o seu poder de pretexto está pronto para se estender a outros possíveis protestos. A longa e numerosa ocupação das escolas em São Paulo, por exemplo, não foi só o caso bacaninha como é visto nos jornais. Ou só episódico, como visto pelo governo paulista.
Todos esses acontecimentos são linguagens, são reflexos, são indicações. Que as classes bem servidas, e as paulistas mais do que as outras, preferem não perceber. Tal como fizeram com a deterioração de suas cidades, ainda mais na mais rica de todas.
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