O filme alemão A Onda fala sobre como é fácil reavivar certas ideologias que a sociedade já considera mortas. Não vou contar o enredo completo aqui e tirar a graça dos leitores, mas posso adiantar que a película exemplifica como é fácil, por meio de um discurso bem encaixado, aglutinar pessoas em torno de um ideal – por mais absurdo que ele pareça.
Por ser alemão, A Onda faz menção ao nazismo. A ligação é óbvia, mas o filme não. Ele aponta como o irracionalismo político é usado de maneira favorável para fomentar o autoritarismo na sociedade.
A “onda” de que trata o filme ganha impulso por meio de um grupo de jovens estudantes. Hoje, no Brasil, vemos um contingente de pessoas jovens também serem levados por uma “onda”, a do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).
A base de sedução do parlamentar carioca é a mesma retratada no filme: um misto de carisma, firmeza na atitude e a aposta na falta de memória política de certa parcela da população.
Produzido em 2008, A Onda é um filme do presente e também do futuro porque sempre será necessáro para a gente não perder o passado de vista.
A onda no Rio de Janeiro
Bolsonaro foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Lá, ele parece ser adorado por muita gente. Mas o que explica esse fenômeno? São muitos os fatores, mas certamente muita gente no Estado anda decepcionada com a qualidade dos políticos cariocas.
Foi no Rio de Janeiro, a capital, que uma ciclovia recém-inaugurada despencou e matou duas pessoas. A explicação dada pelo governo é que as ondas do mar carioca foram responsáveis pela tragédia. Bolsonaro se aproveita desses discursos administrativos frágeis e da falta de compromisso dos políticos locais para ganhar pontos, prometendo atitude e correção aos eleitores.
Resta saber se a onda de Bolsonaro no Rio de Janeiro poderá chegar a se tornar um maremoto para sacudir o Brasil
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