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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Segurança pública, o calo da gestão de Câmara


A segurança pública e a situação dos presídios do estado já deram sinais de que são uma pedra no sapato do governador Paulo Câmara (PSB). Em ano eleitoral, ele precisará de estratégias efetivas para que as questões não estourem e não respinguem na imagem do prefeito do Recife e candidato a reeleição, Geraldo Julio (PSB). Caso contrário, corre sérios riscos. Uma amostra disso aconteceu na última quarta-feira. Após uma real ameaça de greve, o Executivo se viu obrigado a conceder um ganho real de quase 20% sobre os auxílios transporte e farda à Polícia Militar (PM). Os reajustes, causam um impacto de R$14,74 milhões nos cofres da administração.
"É lógico que vai impor um sacrifício muito maior ao governo para cumprir o acordo. Mas era essencial que fosse realizado para garantir a segurança e a ordem pública, uma vez que a greve iria causar danos irreparáveis", afirmou o secretário de Administração, Milton Coelho (PSB). De acordo com ele, os recursos usados serão próprios, conforme prevê a legislação.
Mas, para além do relacionamento com a categoria, um ponto que pode detonar a gestão talvez seja a violência nas ruas. O Pacto Pela Vida, que foi a menina dos olhos do ex-governador Eduardo Campos, definha. Em março deste ano, o número de homicídios registrou a maior alta dos últimos sete anos. Foram 395 assassinatos, de acordo com dados repassados pela Secretaria de Defesa Social (SDS). No primeiro trimestre, o índice de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que mede a quantidade de homicídios a cada 100 mil habitantes, registrou 1.056 mortes. O número é 7% maior que o mesmo período do ano passado e 21% maior que 2014, que teve 828 execuções.
No início do mês, o governo anunciou concurso para as Polícias Civil e Científica de Pernambuco, mas o déficit no efetivo é só a ponta do iceberg. Especialistas em segurança pública acreditam que é preciso investir nas ações preventivas, que também compõem o programa, mas têm falhado, na visão de alguns. “Só polícia não resolve. Para se reduzir os números tem que ter políticas preventivas, que se baseiam também em escutar os anseios da população e suas expectativas”, afirmou o professor da Universidade de Vila Velha, Júlio Cezar Costa.
Costa defende um maior envolvimento com a comunidade como forma de complementação ao Pacto Pela Vida. “Não há solução mágica, mas há de se manter a metodologia concebida para o programa, mas com maior proximidade com a comunidade, com participação propositiva”, acrescentou o professor, que também é coordenador de um programa semelhante em Jaboatão dos Guararapes.
Presídios
Outro ponto com potencial explosivo é a situação dos presídios no estado, que tem um déficit de cerca de 20 mil vagas. Desde que assumiu o Executivo, Paulo Câmara teve que administrar diversas rebeliões, que resultaram na morte de detentos. Também enfrentou sérias denúncias de entrada de objetos proibidos dentro das unidades e até o anúncio de que o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, teria dado seu número de celular pessoal para contato com os detentos. A ação é vista como uma espécie de consentimento do uso de aparelhos celulares dentro do presídio. Outro caso grave foi quando parte de um dos muros do Presídio Frei Damião de Bozanno, no Complexo do Curado, no Grande Recife, foi destruído com explosivos. Mais de cem presidiários fugiram na ação. À ineficiência da administração do sistema prisional se soma ap atraso das obras dos novos presídios, a exemplo do de Araçoiaba e de Itaquitinga. 
Enquanto as construções não saem do papel, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos decidiu, como paliativo, que irá demolir 52 casas que ficam no entorno do Complexo só Curado, a maior unidade do estado. A área desapropriada corresponde a quase 20 mil metros quadrados. Os donos dos imóveis serão indenizados. Eles foram comunicados ontem, em reunião, com a presença do promotor da Vara Execuções Penais, Marcellus Ugiette. Houve protesto dos moradores, que são contrários à ação e alguns deles chegaram a passar mal. O decreto já foi publicado no Diário Oficial

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