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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Machado: Partidos faziam acordos para barrar Lava Jato


Com bom trânsito na cúpula do mundo político e empresarial, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse aos investigadores da Lava Jato não haver dúvidas para ele de que havia uma iniciativa de muitos políticos para prejudicar a operação.
"Após essas conversas ficou claro para o depoente que havia muitos políticos de diversos partidos procurando construir um amplo acordo que limitasse a ação da Operação Lava Jato", diz depoimento de Machado que explicava os diálogos que gravou com caciques do PMDB em março - antes de o processo de impeachment de Dilma ser aberto pelo Congresso. As conversas trataram, dentre outros assuntos, de estratégias para barrar a Lava Jato.
Segundo Machado, o próprio senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi derrubado do Ministério do Planejamento após vir à tona os diálogos em que fala em "estancar" a Lava Jato, teria lhe confidenciado "sobre tratativas com o PSDB nesse sentido facilitadas pelo receio de todos os políticos com as implicações da Operação Lava Jato".
O PSDB hoje está na base de apoio do governo interino de Michel Temer e possui três ministérios, incluindo o da Justiça, responsável, dentre outros, pela Polícia Federal.
A preocupação, contudo, ia além dos tucanos. "Essas tratativas não se limitavam ao PSDB, pois quase todos os políticos estavam tratando disso, como ficou claro para o depoente; que o Romero Jucá sinalizou que a solução política poderia ser ou no sentido de estancar a Operação Lava Jato, impedindo que ela avançasse sobre outros políticos, ou na forma de uma constituinte", relatou o delator.
Além de Jucá, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) também teria falado sobre as estratégias para tentar barrar a operação. De acordo com Machado, no diálogo em que falam sobre "pacto de Caxias", ele e o presidente do Senado estavam se referindo a alternativas legislativas que possibilitassem alguma "anistia ou clemência" aos políticos investigados. Ele ainda relata que Renan deixou claro que seria a "esperança única" do PSDB para tomar as medidas que podem impedir os avanços da operação.
"Quando Renan Calheiros diz (na conversa gravada) que 'eu sou a esperança única que eles têm de alguém para fazer alguma coisa', o 'eles' refere-se especificamente ao PSDB, embora o temor dos políticos da Operação Lava Jato seja generalizado", disse o depoente. 'Fazer alguma coisa' refere-se a um pacto de medidas legislativas para paralisar a Operação Lava Jato, que incluía proibir colaboração premiada de réu preso, proibir a execução provisória de sentença penal condenatória e modificar a legislação dos acordos de leniência", relatou Machado.
Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o teor das conversas gravadas de Machado com o Renan, o ex-presidente José Sarney e o próprio Jucá deixam claro a existência de um "acordão", que "segue sendo costurado", por meio das nomeações de Jucá (que deixou o Planejamento após a polêmica dos áudios), Sarney Filho (Ministério do Meio Ambiente) e políticos tucanos para os ministérios de Temer.

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