Contraditório com histórico peemedebista, documento é ataque à presidente
O PMDB apresenta hoje a sua receita anti-Dilma na economia. Será discutido em encontro da Fundação Uysses Guimarães, centro de estudos do partido, o documento “Uma Ponte para o Futuro”.
Na reunião, o PMDB dará mais um passo na sua estratégia de afastamento gradual da presidente Dilma Rousseff. Em resumo, o PMDB fará uma crítica dura à política econômica do governo Dilma, apesar de ter o vice-presidente da República, Michel Temer, e sete ministérios.
O documento é frontalmente contrário ao que Dilma implementou na economia no primeiro mandato e mais ortodoxo do que a receita aplicada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no segundo governo da petista.
Também é um documento contraditório com o histórico do PMDB. Trata-se de uma guinada dos peemedebistas, cujo discurso sempre priorizou ampliação de gasto público e nomeações políticas para cargos na área econômica.
No novo documento, por exemplo, o PMDB defende o fim da regra de gastos obrigatórios nas áreas da saúde e educação e o endurecimento de regras para aposentadoria. A proposta do PMDB é mais liberal do ponto de vista econômico do que a defendida pelo PSDB.
Há um objetivo bem claro nessa nova proposta para a economia: se o PMDB chegar ao poder em breve com Michel Temer, aplicará políticas contrárias às da presidente Dilma. É um recado para empresários, o mercado e os políticos que desejam apear Dilma do poder.
A reunião da fundação não tem poder de deliberar por um rompimento com o governo. Só a convenção do partido, prevista para março, poderia adotar decisão nesse sentido.
Por isso, o encontro de hoje não é suficiente para viabilizar o impeachment de Dilma, possibilidade que perdeu força com as acusações de corrupção contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O peemedebista, que pode decidir se dá seguimento ou não ao pedido de impeachment, está mais preocupado com a própria sobrevivência. Ele usa a ameaça contra Dilma como arma de defesa.
Mas será importante ver o tom do discurso de Temer no encontro, se mais apaziguador ou se mais distante da presidente Dilma. A tendência é marcar maior distância, apesar da moderação ser uma característica política do vice-presidente da República.
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O apoio da presidente Dilma Rousseff ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, veio tarde. Dilma ficou calada durante toda a semana passada, quando Levy sofreu bombardeio do PT, do ex-presidente Lula e de ministros petistas.
Ela quis colocar Levy sob pressão, a fim de mudar a política econômica. Dilma deseja que Levy libere mais crédito para setores da economia, sugestão feita pelo ex-presidente Lula.
A presidente só falou ontem em defesa de Levy porque foi indagada numa entrevista no exterior. Mas, antes, fizera questão de ficar dias sem se manifestar. Agiu de caso pensado.
Dilma é a maior responsável pelo enfraquecimento de Levy, porque titubeou diversas vezes ao longo do ano e arbitrou disputas derrotando o ministro da Fazenda na discussões internas. A fala de ontem dá sobrevida a Levy. Esfria um pouco a fritura. Mas continua em estudo a possibilidade de substituição do atual ministro da Fazenda pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
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