Oposição fala em um pacto pela saúde dos pernambucanos
Nos últimos meses, a Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa vem realizando uma série de visitas a unidades de saúde do Estado, na Região Metropolitana, Agreste, Mata Norte e Mata Sul. A situação crítica do atendimento prestado à população é generalizada, diferente da ideia de problemas pontuais que quer fazer acreditar o Governo Paulo Câmara.
Entre os equipamentos visitados, estão o Hospital Getúlio Vargas, que vem adiando cirurgias e procedimentos por falta de material como gaze e luvas; o Hospital Belarmino Correia, em Goiana, e o Hospital Geral do Agreste, em Caruaru, onde a situação precária de trabalho e atendimento se estende a diversas áreas. No Hospital Universitário Oswaldo Cruz, que além de referência no atendimento à população nos casos de doenças infectocontagiosas também responde pela formação dos futuros profissionais de saúde, faltam desde material básicos a medicamentos para tratamento de câncer e leitos para recuperação pós-cirurgias.
Ao mesmo tempo, o programa Pernambuco de Verdade encontrou unidades de pronto atendimento (UPAs), como a UPA do Arruda, no Recife, e a UPA Especialidades de Carpina, praticamente prontas, que já deveriam ter sido entregues à população, mas que não foram por falta de pessoal, mostrando mais uma vez a falta de planejamento e a deficiência de gestão que vêm marcando esse governo.
Segundo levantamento realizado pela equipe técnica da Bancada de Oposição, o Estado deve ainda, relativos ao ano passado, cerca de R$ 34 milhões a fornecedores de materiais e serviços médicos, como White Martins Gases Industriais, Philips Medical System e Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco; além de uma inadimplência de R$ 38 milhões, no primeiro semestre deste ano, com as Organizações Sociais (OS) responsáveis pela gestão de UPAs e dos novos hospitais. Uma delas, inclusive, a Fundação Altino Ventura, já revelou não ter mais interesse em continuar à frente do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru.
Diante do quadro, cada vez mais grave, o Governo do Estado se limita a apontar a queda de repasses da União para o Estado como responsável pela crise. E, de fato, houve uma diminuição de R$ 58,2 milhões no primeiro semestre do ano, redução que representa apenas 32,15% dos R$ 181 milhões que o Governo Pernambuco deixou de aplicar na saúde no mesmo período. Há hoje a necessidade de uma ampla discussão nacional sobre o subfinanciamento da saúde, que passa também pela revisão das tabelas do SUS, congelada há anos. No entanto, acreditamos que governar é eleger prioridades e manter o padrão de investimento e atendimento à população deve estar entre as primeiras delas.
Por discordar do jogo de apenas se apontar culpados, sem procurar saídas para os problemas enfrentados pela população, a Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco propôs, há uma semana, a criação de um Pacto pela Saúde, que representasse a união de forças dos parlamentares estaduais, da bancada federal do Estado, representantes do Governo Federal e Governo do Estado, além das entidades da sociedade civil (como Cremepe e Simepe) e todos os agentes da saúde pública do Estado para que possamos viabilizar a construção de uma saída para a crise na saúde, que tem como principal vítima a população pernambucana. A Bancada de Oposição se coloca a disposição desse debate e aguarda, o mais breve possível, um posicionamento do Governo de Pernambuco
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