Cunha se manteve impassível durante as manifestações na tribuna a favor e contra sua permanência na presidência da Câmara
Cunha se manteve impassível durante as manifestações na tribuna a favor e contra sua permanência na presidência da Câmara(Gustavo Lima / Câmara dos Deputados/VEJA)
Por: Marcela Mattos, de Brasília
Em sentido oposto à decisão do PSDB, deputados do DEM rejeitaram nesta terça-feira adotar uma postura mais incisiva pelo afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do comando da Câmara dos Deputados. Durante reunião da bancada, composta por 21 parlamentares, apenas quatro se manifestaram pelo endurecimento do discurso contra o peemedebista. Nos bastidores, PPS e PSB planejam ler em plenário um manifesto em que ressaltam a situação insustentável de Cunha na presidência enquanto responde a processo no Conselho de Ética. A ideia era que o DEM se unisse aos partidos no ato marcado para a próxima quinta-feira.
Os democratas, no entanto, consideraram inócuo lançar um novo manifesto sobre Eduardo Cunha, uma vez que o partido já assinou, ao lado de outras siglas de oposição, duas notas pedindo o afastamento dele. O acordo firmado entre os deputados durante reunião, oficialmente, é esperar uma decisão do Conselho de Ética. O partido é representado no colegiado pelo deputado Paulo Azi (DEM-BA), que, segundo aliados, deve votar pelo prosseguimento das investigações contra Cunha.
Na semana passada, deputados do PSDB reforçaram o pedido de afastamento de Cunha, com a leitura de uma nota em plenário, depois de considerarem que a defesa apresentada pelo peemedebista sobre o seu envolvimento no escândalo de corrupção da Petrobras não foi convincente. Os tucanos também desistiram de esperar um posicionamento do presidente da Câmara sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e consideraram que Cunha estava negociando com a oposição e o governo ao mesmo tempo.
A iniciativa dos tucanos irritou Cunha, que classificou o ato como desleal e afirmou, a aliados, que eles agiram por conveniência. A decisão também causou desgaste na bancada do DEM. Até então, os partidos de oposição estavam tratando de forma coordenada a situação do presidente da Câmara. Para os democratas, o PSDB atropelou as demais legendas.
Durante a reunião nesta terça, sobraram críticas aos tucanos. “Outra nota seria motivo de chacota, como viraram outros movimentos que partidos de oposição. O pedido de afastamento já foi feito. Não faz sentido refazê-lo”, disse o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Nesta segunda-feira, Maia foi confirmado presidente da comissão especial que vai discutir a desvinculação de receitas da União (DRU). O deputado foi indicado ao cargo por Cunha.
Entre os que pediram uma nova investida contra o presidente da Câmara está o líder do DEM, Mendonça Filho (PE). A aliados, ele justificou que o momento político exigiria uma postura mais dura da bancada, mas acabou sendo voto vencido