Servidores se revezam na frente da sede da prefeitura, e dizem que há 44 dias o prefeito Bruno Martiniano não comparece ao local
Foto: Fernando da Hora/JC Imagem
Nesta terça (17), o clima em Gravatá em relação ao futuro era de suspense, mesmo após a divulgação do nome do novo interventor do município. Para a população, que por conta dos problemas apresentados na gestão de Bruno Martiniano (sem partido) enfrenta uma onda de assaltos, lixo acumulado nas ruas e dificuldade de acesso aos serviços médicos e escolares, a notícia traz uma mescla de alívio e apreensão. "Que o novo prefeito pegue esse ano que tem pela frente e faça alguma coisa pelo povo daqui", resumiu a vendedora autônoma Auxiliadora Lima, de 46 anos. No início da tarde de ontem, ela tentava, sem sucesso, ser atendida no hospital municipal Doutor Paulo da Veiga Pessoa: diante da crise, o médico que a acompanhava, a enfermeira-chefe e outros profissionais pediram demissão. Junto com ela, a dona de casa Etiene França tentava consultar o filho Eliel, de 5 anos. "Moro longe, ele está com uma forte crise alérgica e é um absurdo não ser atendido", reclamou.
A reportagem do JC esteve no agreste pernambucano conferindo a repercussão do afastamento do prefeito. Na última segunda (16), quando a notícia chegou a Gravatá, houve foguetório. "Foi muito barulho, escutei de casa. Os mesmos que pediram pra ele ser eleito, pediram para ele sair", disse o agricultor José Rodrigues da Silva, 62.
A expectativa entre os cidadãos comuns é de que agora os graves problemas estruturais instalados na gestão de Martiniano se resolvam. As queixas se acumulam."Meus filhos estão sem aula e o transporte não está funcionando direito. Há um mês os alunos da zona rural não têm como vir à escola", reclamou a doméstica Marlene Berto, 50. "Não tem lâmpada nos postes, às 18h a gente tem que se trancar em casa para não ser assaltado. A empresa terceirizada parou de recolher o lixo, e a prefeitura cortou o carro que levava minha mãe para fazer hemodiálise", destacou a dona de casa Vânia Bezerra da Silva, 41. "Falta equipamento de proteção, material para cirurgia. A gente estava lavando o chão com amaciante de roupa. O diretor administrativo, John Lennon, pediu exoneração alegando que a situação é desumana, e foi seguido por outros coordenadores", denunciou um auxiliar de limpeza que não quis se identificar, e que trabalha no hospital municipal, única unidade pública que oferece serviço de emergência na cidade.
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