Governadores do Nordeste assinam nota de apoio à presidente, mas pernambucano é surpreendido e escreve outro texto
Uma nota divulgada no Facebook pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), provocou polêmica, ontem, e levou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), a apresentar uma outra versão, cobrando a resolução da crise política nacional em tom mais incisivo.
Sem citar nomes, o texto de Rui Costa dizia que “os governadores do Nordeste manifestavam repúdio” à abertura do processo de impeachment aberto na última quinta-feira pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E ainda afirmava que os governadores da região “anunciavam uma posição contrária” e se posicionavam contra o “golpismo”, um termo bastante usado pela presidente Dilma Rousseff (PT), que deve vir ao Recife amanhã.
O texto de Rui Costa foi divulgado nas agências de notícia e no site do Palácio do Planalto como nota oficial, com o nome dos nove governadores nordestinos, como se todos tivessem assinado a nota anteriormente. Pessoas próximas a Rui Costa afirmaram ao Diario no final da tarde, contudo, que ele não tinha conseguido conversar com três dos nove governadores. Não só Paulo Câmara como os governadores de Alagoas, Renan Filho (PMDB), e o de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), foram pegos de surpresa.
PRESSÃO PARA DIVIDIR
Renan Filho e Jackson Barreto terminaram subscrevendo o documento, enquanto Paulo enviou outra nota aos jornais. Segundo informações de bastidores, o governador socialista ficou incomodado com a movimentação do Planalto de pedir que os gestores nordestinos mostrassem o respaldo da região a Dilma e ajudassem a formar uma frente contra o impeachment. Paulo teria analisado a pressão como uma forma de dividir o país, mas ele não falou sobre esse assunto no documento enviado à imprensa. Inclusive ele pode receber Dilma amanhã para discutir a questão da microcefalia e tentar construir uma agenda positiva.
Em tom elegante, Paulo Câmara afirmou não ter tido a oportunidade de conversar sobre o teor da nota com os outros colegas e se mostrou contrariado com o fato de o país estar parado, sem enfrentar problemas sérios como o Aedes aegypti e o desemprego em virtude da crise política enfrentada por Dilma e pelo Congresso. Ele disse respeitar a nota dos governadores, mas expôs o que pensava. Frisou que Eduardo Cunha não tinha legitimidade para conduzir o impeachment e que “precisava deixar a Presidência da Casa”, porém tratou a abertura do processo como “fato consumado” e cobrou pressa na resolução da crise.
UM BASTA
“Esse processo é uma oportunidade para o governo, quem sabe, rearrumar a sua base no Congresso e aprovar as medidas necessárias para ajustar a economia. É preciso dar um basta na política pequena, de troca de favores para qualquer tomada de posição”, declarou, ressaltando não ver, nesse momento, condições legais para o afastamento de Dilma.
Paulo lembrou, ainda, que o PSB não votou nem em Eduardo Cunha para a Presidência do Poder Legislativo, nem em Dilma. “Trilhamos nosso próprio caminho. Essa postura continuará defendendo as instituições e o respeito à Constituição do país
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