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sábado, 5 de dezembro de 2015

Rede mira 2018 e se diferencia do PSDB

Contra impeachment, Marina cultiva pontes com base social do PT


Ao se posicionar contra o impeachment, a Rede e a ex-senadora Marina Silva trilham um caminho diferente dentro do campo da oposição, dominado hoje por PSDB e DEM. Marina e seu novo partido cultivam pontes com setores da base política e social do governo.
Marina sempre se disse contra impeachment para remediar crise política e econômica. Ela e seu partido fazem uma aposta correta para ser uma alternativa em 2018 a essa polarização meio suicida entre PT e PSDB.
Na avaliação da Rede, já existem investigações na Justiça que podem resultar em eventual saída da presidente Dilma Rousseff do poder.
Erro político
O governo começou mal no STF (Supremo Tribunal Federal), com duas derrotas de ações judiciais de deputados aliados. O pedido do PC do B era ingênuo. Exigia que a presidente Dilma tivesse direito de defesa antes da decisão de Eduardo Cunha de aceitar o pedido.
Nem o mérito do pedido foi julgado. O ministro Celso de Mello achou que o deputado não tinha direito de apresentar o mandado de segurança porque, em tese, não foi um direito dele que teria sido ferido.
Mas o pior foi a tentativa de desistência de deputados do PT depois de saberem que o ministro Gilmar Mendes seria o relator de um pedido que questionava a legalidade da decisão do presidente da Câmara, sustentando que Eduardo Cunha abusara do poder para desviar o foco das acusações de corrupção que pesam contra ele.
A tentativa de desistência constrange outros ministros do tribunal e foi inócua, porque Mendes não a aceitou. Gilmar Mendes é adversário declarado do PT, mas foi um erro tentar desistir. Afinal, ele é ministro do STF. Melhor esperar a decisão dele e recorrer ao plenário em caso de provável derrota do pedido.
A frente de batalha jurídica é importante para o governo, porque se trata de uma tentativa de matar o processo do impeachment no nascedouro. No entanto, começou mal a estratégia no Supremo, com constrangimento a ministros que já estão sendo cobrados a agir duramente.
Convocação é necessária
O governo quer a convocação extraordinária do Congresso no recesso parlamentar para votar logo o pedido de abertura de processo de impeachment na comissão especial da Câmara, caso não haja intervenção do Supremo nessa batalha. A oposição está dividida em relação ao tema. Uma parcela também quer a convocação extraordinária. Outra parte deseja jogar a decisão para fevereiro, depois do fim do recesso previsto para começar no dia 22 de dezembro.
Estratégias políticas do governo e da oposição são legítimas, mas deixar para fevereiro uma questão tão séria é um desrespeito com o país, que está parado à espera da solução de um tema grave. É irresponsável.
Se essa discussão ficar para fevereiro, prevalecerá um ar de manobra política em detrimento da responsabilidade com o país. A parcela da oposição que defende que não haja convocação extraordinária do Congresso comete um erro. Há inúmeros projetos que precisam ser aprovados em benefício da economia e o processo de Eduardo Cunha também precisa ser analisado no Conselho de Ética.
Lições da História
Além da frente de batalha jurídica, o governo fez reuniões ontem com aliados e pretende promover encontros com governadores aliados e até da oposição. É uma ação para buscar apoio político.
O governo sabe que a falta de suporte político-partidário foi a principal causa do impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. No caso de Collor, havia ainda a Fiat Elba, uma prova de benefício pessoal, o que não existe em relação à presidente Dilma.
Collor era um presidente isolado politicamente e de um partido pequeno. Apesar da baixa popularidade, Dilma tem um partido forte e ainda possui aliados.
No Congresso, havia um time de maior credibilidade em 1992. Ibsen Pinheiro tinha prestígio. Hoje, as principais figuras do Congresso respondem a inquéritos no Supremo e o comandante do impeachment, Eduardo Cunha, sofre graves acusações de corrupção. São diferenças importantes

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