Muitos já perceberam, mas é bom deixar claro que a ânsia em eleger já na terça-feira o presidente da Câmara (que, por sinal, já está há dois meses acéfala, dominada na prática pelo centrão e com as votação sendo conduzida por um de seus integrantes, o deputado Giácobo, aquele que ganhou 12 vezes na loteria) é parte das traições e armações do acordo salva-cunha.
No covil de traições que se tornou o parlamento, há o temor, de um lado, que eleito um presidente, diluam-se os compromissos de dar na Comissão de Constituição e Justiça os votos prometidos para a devolução à estaca zero do processo de Cunha, por si missão já quase impossível.
De outro, que não se obtendo o benefício pretendido por Cunha, os remanescentes do seu grupo criem problemas aos planos de eleição de um nome confiável a Temer para a direção da Casa legislativa.
Quem vai apoiar quem dependerá de muitas contas à beira da eleição.
Como a proliferação de candidatos para um mandato de apenas seis meses indica que muita gente quer negociar candidatura, a indefinição permanecerá até lá.
Com o aval integral de Cunha e candidato único, o centrão parte na frente, embora seja improvável que com fôlego para uma vitória em primeiro turno.
A esquerda – que tem 100 votos ou pouco menos – dificilmente conseguirá o ideal, que seria ter um só candidato e muito mais dificilmente negociar em bloco único a quem apoiar no segundo turno.
O essencial é que se consiga sair desta eleição com um presidente comprometido a não colocar em votação a toque de caixa as propostas genocidas que virão após setembro

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