O FMI e sua crítica à política neoliberal
Na última semana, em artigo publicado em
sua principal revista, o Fundo Monetário Internacional, através de seus
principais economistas, criticou veladamente a agenda neoliberal. No
Brasil, no entanto, ao contrário do que prega o chamado mercado e parte
da mídia, o governo golpista representa retrocesso nas ideias e no
pensamento econômico
Por Paulo Daniel*, na Revista Fórum
Na última semana, em artigo publicado em sua
principal revista, o FMI (Fundo Monetário Internacional) através de seus
principais economistas criticou veladamente a agenda neoliberal.
Intitulado, “Neoliberalism: Oversold?” (em uma
tradução livre; “Neoliberalismo: Superestimado?”) o artigo demostra um
debate bastante interessante em curso no próprio FMI, refletindo sobre
os limites e insucesso de políticas neoliberais tão propaladas e
executadas, principalmente, a partir dos anos 80, nos chamados países em
desenvolvimento.
Este trabalho avalia, centralmente, dois pontos
importantes da agenda neoliberal: a liberalização da conta de capital,
ou seja, a liberdade que os capitais, especulativos ou não, possuem em
entrar e sair de um país, como por exemplo, o Brasil; e, também, a dita
cuja austeridade fiscal, algo que estamos vivendo e sobrevivendo mais
pronunciadamente desde 2015 e, ao que tudo indica, aprofundado com o
fiscalismo golpista.
Os autores reconhecem que as políticas implementadas
com viés neoliberal resultaram em aumento da desigualdade social e
sérios comprometimentos ao crescimento econômico dos países.
Pois bem, no Brasil, desde a implementação do Plano
Collor e, em seguida, a partir de 1994, com o Plano Real, a agenda
neoliberal segue com maior ou menor intensidade, com forte redução dos
gastos públicos, privatizações (lembremos: Usiminas, Vale, setor de
telefonia, setor elétrico etc.)
A partir de 1999, implementa-se a chamada políticas
de metas de inflação (câmbio valorizado, superavit fiscal primário,
taxas de juros elevadas), cujo principal objetivo é manter a inflação
dentro da meta, nem que para isso tenha que aumentar o nível de
desemprego ou reduzir a renda ou o crescimento econômico. Esta agenda
brasileira baseada no famoso consenso de Washington, como o artigo dos
economistas do FMI nos mostra, aumentou veloz e violentamente o
desemprego, com crescimento econômico negativo e, por consequência, a
desigualdade social. Essa foi a nossa década mais do que perdida
brasileira.
Mundo afora, economistas ortodoxos relativamente
sérios estão reavaliando suas teses e pensamentos e rediscutindo o papel
do Estado na economia capitalista contemporânea, como elemento indutor e
regulador do processo econômico.
Já em terra brasilis, essa discussão é ainda muito
modesta na academia ortodoxa, o capital tem sincopes sobre isso e os que
decidem ou executam a política ou estão desatualizados ou não desejam,
de fato, elaborar políticas econômicas para o conjunto da sociedade.
Para tanto, observemos nosso passado recente. Joaquim
Levy foi escalado para reestabelecer a confiança do capital. Elogiado
por parte da mídia, o que se viu após um período: a confiança
desmanchou-se no ar, e a busca do tão desejado superavit primário
resultou na ampliação do deficit. Já, outro salvador do capital, com a
chancela de golpista, Henrique Meirelles, anunciou um pacote na última
semana ainda mais recessivo. Observa-se que ambos não estão
sintonizados, ou não querem, com o debate/discussão de seus pares
ortodoxos, como por exemplo, o FMI. Ou seja, além de aplicarem medidas
recessivas, estão atrasados e tardios em suas propostas e políticas. Ao
contrário do que prega o chamado mercado e parte da mídia, o governo
golpista também representa retrocesso nas ideias e no pensamento
econômico
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