O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu nesta quinta-feira, 2, dar prosseguimento ao inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de envolvimento no esquema de corrupção de Furnas. A determinação foi dada um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar um parecer pedindo o prosseguimento das investigações.
No mês passado, Gilmar Mendes suspendeu as investigações contra o senador tucano, um dia após abrir o inquérito a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, depois de ouvir a defesa do senador, o ministro questionou o procurador sobre qual seria a real necessidade de se manter o inquérito.
No pedido de prosseguimento do caso, Janot reiterou que há indícios contra Aécio de envolvimento com o esquema de corrupção em Furnas e que o inquérito é necessário para esclarecer o caso. A acusação tem como base as delações premiadas do doleiro Alberto Yousseff e do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS).
Segundo a PGR, Yousseff teria dito que o PSDB, por meio de Aécio, dividia a diretoria de Furnas com o PP, e que o tucano recebia mensalmente “pagamentos ilícitos”, por meio da irmã, de uma das empresas contratadas por Furnas, entre 1994 e 2001. Delcídio também teria confirmado em delação as acusações contra Aécio, além de acrescentar novos elementos, como a suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na determinação de prosseguimento do inquérito, Gilmar Mendes disse que “foram trazidos elementos de corroboração oriundos de outras investigações que podem reforçar a suspeita em apuração”. Além disso, o ministro do STF rebateu críticas de Janot, que disse que a decisão de apurar as diligências é do Ministério Público e não do poder Judiciário.
“A investigação não é uma propriedade do Ministério Público e da polícia, imune à interferência judicial”, afirmou o ministro, acrescentando que o juiz tem o dever de arquivar inquéritos que sejam incabíveis.
Em nota, Aécio disse que apesar de entender o papel do Ministério Público em prosseguir com as investigações, tem convicção de que terá a inocência provada. “Tenho a absoluta convicção de que, ao final, ficará provado mais uma vez a minha inocência, como já aconteceu no passado, o que levou, inclusive, ao arquivamento dessas mesmas acusações”, disse.
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