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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Gene drive’, uma promessa para erradicar o Aedes aegypti


A raça humana já levou várias espécies à extinção por ignorância. Agora, uma tecnologia chamada ‘gene drive’ pode fazer do Aedes aegypti a 1ª espécie extinta por razões humanitárias


‘Gene drive’, uma promessa para erradicar o Aedes aegypti
‘Gene drive’ pode extinguir a espécie, acabando com as doenças que ela transmite (Foto: Wikipedia)

A raça humana já causou a extinção de várias espécies por conta da fome, ignorância, desejo de crescimento econômico e indiferença. Agora, o avanço científico pode tornar o Aedes aegypti a primeira espécie extinta por motivos humanitários.
Há tempos, a espécie era conhecida por transmitir a febre amarela. Nos últimos anos, ela ficou famosa por transmitir a dengue. Agora, o Aedes aegypti ganha os noticiários por transmitir o zika vírus, uma doença ligada ao nascimento de bebês com microcefalia.
Antes uma espécie encontrada apenas na África subsaariana, o Aedes aegypti se espalhou pelo mundo, beneficiado pela falta de ação humana para contê-lo. Ele consegue transmitir uma vasta gama de doenças porque se alimenta quase exclusivamente de sangue humano e vive dentro ou em volta de regiões habitadas. Ele é o único vetor das doenças dengue, zika e chikungunya.
Por várias vezes houve apelos pela erradicação da espécie. Agora, avanços em uma tecnologia da engenharia genética chamada “gene drive” pode tornar isso realidade. As espécies carregam dois pares de cromossomos determinantes para o sexo (x e y). Cada um deles tem uma chance de 50% de ser repassado à prole.
Porém, o gene drive torna isso diferente. Modificado geneticamente, ele carrega instruções para atacar o cromossomo oposto e inserir uma cópia de si mesmo. Isso torna possível erradicar a fêmea do Aedes aegypti, fazendo com que, em pouco tempo, o macho também deixe de existir.
Normalmente, quando se fala em extinção, vêm à tona questões sobre impactos no ecossistema. No entanto, o Aedes aegypti não se prolifera em mangues, pântanos ou lagos. Ele se prolifera em água acumulada em pneus, latas, e outros recipientes. É este o “ecossistema” do Aedes aegypti. Além disso, nenhum sapo ou peixe se alimenta dessa espécie. Se atualmente há um grande esforço para destruir o “ecossistema” do Aedes aegypti (leia-se, limpar o lixo acumulado e tapar recipientes usados para armazenar água), por que não eliminar de vez a espécie?
Combinada com a prática de borrifar inseticidas e eliminar água parada, o gene drive tem grandes chances de erradicar, quem sabe globalmente, o aedes aegypti e todas as doenças transmitidas por ele.

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