Em meio à crise econômica, há uma semana a Câmara dos Deputados aprovou um pacote de reajustes salariais para funcionários do Judiciário e Executivo. Embora o governo não tenha divulgado o tamanho do impacto desse reajuste nos cofres públicos, projeções da Agência Estado apontam que ele será de pelo menos R$ 56 bilhões até 2019. Dados de janeiro de 2016 divulgados pela ONG Contas Abertas mostram que o montante equivale a mais de duas vezes o valor gasto com o Programa Bolsa Família em 2015, R$26,9 bilhões.
Na última terça-feira, 7, a presidente afastada Dilma Rousseff voltou a criticar, pelas redes sociais, possíveis cortes em programas sociais como o Bolsa Família. Ela disse que o programa é barato, tendo em vista o número de beneficiários, e que qualquer redução de investimento seria “um retrocesso”.
Desde 2003, o governo federal já transferiu, por meio do Bolsa Família, R$ 186,5 bilhões a famílias de baixa renda, se considerados os valores correntes. O número de beneficiários tem se mantido estável em 13,9 milhões de famílias nos últimos anos. Dividido o valor total gasto como programa em 2015, cada família recebeu em média R$ 161,69 mensais.
O governo Temer está discutindo possíveis mudanças no programa social. Esta semana o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, disse que vai designar parte do orçamento do programa para criar linhas de microcrédito para os mais pobres. Com isso, o governo espera acelerar a saída de famílias do programa.
A maioria dos projetos de reajuste aprovados na Câmara tramitou em regime de urgência, graças à articulação do presidente interino. Temer orientou os líderes da base a votarem a matéria como uma forma de diminuir a pressão da oposição, sobretudo do PT e dos sindicatos dos servidores, muitos dos quais são comandados por petistas.
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